Neto cita risco de quebra de empresas de ônibus e critica projeto da Câmara para setor

O prefeito de Salvador, ACM Neto, demonstrou preocupação com a situação financeira das empresas que administram o transporte público em Salvador, agravada pela pandemia do novo coronavírus, e disse que a questão deve ser a principal dor de cabeça para a próxima gestão.

A esperança para cobrir o rombo no caixa das concessionárias e dar fôlego a elas a curto prazo seria uma Medida Provisória editada pelo governo federal para socorrer o setor.

Mas, na avaliação de Neto, o texto final aprovado pela Câmara dos Deputados para o projeto é “horrível” e colocará em risco a recuperação das empresas. A expectativa agora é de que o Senado, por onde passará a matéria agora, altere o texto. 

“Fui para Brasília esta semana para tratar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre mudanças que precisam ser feitas no projeto de lei aprovado pela Câmara, fruto de MP editada pelo governo sobre ajuda ao setor de transportes em razão da pandemia. Mobilizei prefeitos do Brasil, consegui chamar atenção para a necessidade desse socorro, mas a Câmara dos Deputados estragou, inviabilizou o texto. O texto final aprovado pela Câmara foi horrível, não podia ter sido pior”, criticou o prefeito em coletiva após a inauguração de mais um elevado do BRT. Ainda segundo o prefeito, não se pode pensar retomada econômica pós-pandemia sem incluir na equação a saúde financeira das empresas de ônibus.

“Demorou, mas o pessoal começou a despertar para esse problema porque o que adianta você ter o desejo da retomada econômica do país se o sistema de transporte nas capitais pararem? Acabou, acabou tudo, isso é base. Então acho que essa ajuda [federal] é importante. Trabalhei muito essa semana pra mudar no Senado as bobagens feitas pela Câmara no texto”, disse, em mais uma crítica aos deputados federais.

Neto descreveu que a situação das concessionárias do serviço é preocupante. Atualmente, o sistema transporta 50% da capacidade total de passageiros, ao mesmo tempo em que 80% da frota de ônibus está nas ruas. “Então você tem aí um descasamento. Você tem, é verdade, horários de pico, que os ônibus às vezes passam cheios, mas acabei de ver ali um ônibus passar, tinha 3 passageiros.” Além da intervenção que a prefeitura precisou fazer na empresa CSN para evitar a interrupção do serviço nos trechos operados por ela, a gestão está aportando recursos nas outras duas bacias para que elas não quebrem.

“A maior dor de cabeça que tenho hoje e que o próximo prefeito terá de tratar é o transporte público. Nunca pensei que ia terminar meu mandato me preocupando em pensar se foi comprado o óleo diesel, o pneu, a peça. Tem interventor da prefeitura chegando 4h30 da manhã em garagem de ônibus pra garantir que o ônibus possa rodar, pagar rodoviário para eles não pararem. E por aí vai”, relatou. 

“Estamos no momento de negociação com as outras duas bacias, pois esse período da pandemia gerou um desequilíbrio grande no sistema. A prefeitura vai ter que aportar recursos. Fizemos a compra inicial de cinco milhões de passagens, em crédito antecipado, mas vamos ter que colocar mais recursos. Estamos, neste momento, num estudo e negociação pra fazer encontro de contas, da mesma forma que a prefeitura tem que botar dinheiro para que a bacia da CSN não pare.”

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