Empresas de ônibus oficiam Bolsonaro e consideram aumento do diesel como um novo golpe

Um novo golpe no setor de transportes.

É assim que as empresas de ônibus classificaram o mais recente aumento do óleo diesel que ocorreu nesta sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021, quando mandaram um ofício ao presidente Jair Bolsonaro relatando que, se o setor de mobilidade já estava em situação difícil por causa da pandemia de covid-19, com este novo reajuste de 15,2% do preço nas refinarias, o quadro se agravou.

Por meio de nota à imprensa, o presidente-executivo da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Públicos), Otávio Cunha, disse que é incompreensível a insensibilidade da gestão Bolsonaro com o transporte coletivo.

“Não conseguimos entender a insensibilidade do Governo Federal com um serviço essencial que garante o direito de ir e vir de 43 milhões de passageiros transportados por dia”, disse Otávio Cunha.

No acumulado do ano, a alta no diesel é de 27,72% no preço do diesel nas refinarias.

Contando a queda de demanda de passageiros por causa da pandemia e os aumentos de custos diante dos congelamentos das tarifas na maior parte do País, as viações dizem que acumulam em todo o País um prejuízo desde o início do ano passado que se aproxima de R$ 10 bilhões.

Com isso, a insatisfação com o Governo Federal extrapola os caminhoneiros no setor de transportes.

O desgaste de Bolsonaro com a área de transportes de passageiros não é de hoje.

Não foi nada bem recebido entre os empresários do setor, incluindo o metroferroviário, o veto integral de Bolsonaro ao projeto de lei (PL) 3364/20 do deputado Fabio Schiochet que propunha um auxílio emergencial de R$ 4 bilhões para sistemas de transportes em cidades acima de 200 mil habitantes.

Para a decisão, Bolsonaro seguiu a manifestação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com a NTU, os “reajustes acumulados do diesel desde o ano passado geram um impacto de 5,8% na planilha de custos das operadoras, tendo em vista que o combustível representa em média, 23% dos custos operacionais das empresas de ônibus.”

Otávio Cunha disse que a situação das empresas chegou a um limite crítico no Brasil, com prejuízos não só às operadoras do serviço, mas também aos trabalhadores. “Foram mais de 70 mil postos de trabalho perdidos”, disse.

A entidade diz que representa em torno de 500 empresas de linhas urbanas e metropolitanas que geram 405 mil empregos diretos.

No ofício, as viações disseram defender a criação de um novo marco legal para o transporte público com maior segurança jurídica e transparência nos contratos.

Diário do Transporte apurou que o Governo Federal está divido quanto a um eventual socorro aos segmentos de transportes urbanos, suburbanos e metropolitanos.

Enquanto uma ala defende algum tipo de auxílio, nem inferior aos R$ 4 bilhões como previa o projeto vetado, outra corrente no Planalto não é simpática a um socorro ao setor.

Novos gastos e renúncias fiscais podem minar ou ao menos minimizar algum programa para o setor de transportes públicos, que incluíra não apenas ônibus, mas serviços de trens e metrô que também relatam prejuízos acumulados.

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